NOSSOS BOLEIROS ESTÃO ESTRAGANDO O FUTEBOL

Blog Comentando Esportes

Arthur Paulo Tempesta

Desde muito jovem sempre me considerei um verdadeiro fanático por futebol. Na infância, meu principal brinquedo era uma bola — muitas vezes até mesmo uma simples “bola de meia” — nas ruas ainda de terra batida.

Aos 16 anos iniciei minha humilde trajetória no futebol local, atuando como atacante. Defendi o União por nove anos e o Operário por dois anos. Mais tarde, permaneci ligado ao esporte como dirigente, exercendo durante anos a função de “cartola” e chegando a presidir o União durante a fase do profissionalismo. Até hoje continuo sendo um apaixonado torcedor palestrino.

Apesar desse amor pelo esporte, confesso que atualmente me sinto decepcionado com muitos dos protagonistas do nosso futebol.

Recentemente, durante o clássico entre Corinthians e Palmeiras, a atitude do atacante palmeirense Andreas Pereira gerou grande polêmica. Trata-se de uma postura condenável, mais uma entre tantas atitudes que acabam manchando o espetáculo do futebol.

Infelizmente, boa parte dos jogadores brasileiros, do goleiro ao ponta, tem protagonizado cenas que pouco têm a ver com o espírito esportivo. Simulações, exageros e atitudes teatrais tornaram-se comuns dentro de campo, gerando indignação entre os torcedores.

Não é raro ver um atleta cair no gramado após um contato mínimo, rolando, gritando e gesticulando como se tivesse sofrido uma agressão grave. Pouco depois, as imagens de replay mostram que o lance sequer justificaria tamanha reação.

O mais preocupante é que, em muitos casos, essas atitudes não recebem a devida punição, o que contribui para que a prática se repita ao longo das partidas. O resultado são jogos cada vez mais truncados. Muitas vezes, o tempo efetivo de bola rolando não chega sequer a 45 minutos, embora o torcedor pague para assistir a 90 minutos de futebol — e cada vez mais caro.

Outro aspecto que irrita o público é o constante festival de reclamações em campo. Após cada falta, jogadores cercam o árbitro exigindo cartões para o adversário, enquanto o outro lado insiste em negar a infração. O espetáculo acaba se tornando, muitas vezes, mais discussão do que futebol.

Também chama atenção a frequente simulação de lesões por parte dos goleiros, geralmente com o objetivo de esfriar o ritmo da partida. O atleta permanece estendido no gramado por longos minutos, causando irritação no público e interrompendo o andamento do jogo.

Nesse cenário, o árbitro — muitas vezes chamado de “homem de preto” — acaba se tornando alvo constante de reclamações. Falta preparo técnico, mas também falta autoridade para impor respeito dentro de campo. A mesma falta, dependendo da situação, acaba sendo interpretada de maneiras diferentes, aumentando ainda mais as polêmicas.

Questões como “bola na mão” ou “mão na bola” também se tornaram motivo de discussões intermináveis. Como brincadeira, chego a sugerir que os jogadores, exceto o goleiro, entrem em campo com os braços presos ao corpo. Afinal, é quase impossível disputar uma bola aérea sem o auxílio natural dos braços, que ajudam no impulso do salto.

Enquanto isso, essas situações continuam se repetindo. Muitos cronistas esportivos também acabam sendo complacentes, comentando pouco sobre essas distorções do esporte.

Não me considero dono da verdade. Sou apenas mais um torcedor apaixonado que acredita que o futebol brasileiro precisa resgatar valores como respeito, disciplina e espírito esportivo.

A falta de educação de muitos atletas contribui para manchar a imagem daquele que sempre foi considerado o esporte paixão dos brasileiros. Se nada mudar, quem perde é o próprio futebol. ⚽

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